Unplugged: Air Guitar (Review)

Por Luis Fernando Guimarães 

Unplugged: Air Guitar, desenvolvido pela Anotherway, foi lançado inicialmente em 2021 para Windows e Oculus Quest. Agora em 2023, o jogo chega ao PS5, junto com o lançamento do novo Headset de RV da Sony, o PSVR2.

Como ainda estou dando os primeiros passos no mundo dos jogos em RV, quando soube do jogo pela primeira vez, honestamente não sabia o que esperar. Logo nos primeiros minutos ficou explícita a inspiração em títulos como Guitar Hero e Rock Band: as notas vêm em direção ao jogador, que deve posicionar corretamente o “acorde” no braço da guitarra, e palhetar o instrumento no momento correto.

Unplugged Air Guitar 2

A diferença é que, desta vez imerso em ambientes 3D, e obviamente, sem a necessidade da guitarrinha física, uma vez que o jogo se beneficia da tecnologia de hand tracking para monitoramento dos movimentos do jogador, você está “dentro do jogo”. A estrutura também, é quase idêntica, em que o jogador deve completar os shows (são 5 no total), cada um com 4 ou 5 músicas, enquanto completa desafios e acumula novos fãs para desbloquear conteúdos adicionais. Os desafios desbloqueiam novos palcos para se apresentar, assim como novas músicas. E, dependendo da quantidade de fãs, é possível comprar novas guitarras e palhetas.

Graficamente, Unplugged deixa um pouco a desejar, uma vez que em todos os shows o jogador assume o papel de um guitarrista solitário, pois nunca tem uma banda junto, tocando para um público de bonecos estáticos sem face, envoltos na completa escuridão. Por esse motivo, quando comparado com Guitar Hero e Rock Band, Unplugged: Air Guitar oferece uma experiência no palco bem estéril e às vezes até meio sombria.

Pra quebrar um pouco a solidão, o comédia do Satchel, guitarrista do Steel Panther, volta e meia aparece pra incentivar e parabenizar quando o jogador manda bem, ou só pra fazer umas piadinhas toscas mesmo.

A tracklist completa, sem contar os DLCs, contém 23 músicas. Os destaques pra mim foram Get the Funk Out do Extreme, Flying High Again de Ozzy Osbourne e Tom Sawyer do Rush. A seleção é bem diversificada, e de boa qualidade, apesar de algumas das gravações já terem aparecido em jogos similares no passado. Confira a lista completa:

Setlist de Unplugged: Air Guitar
Setlist de Unplugged: Air Guitar

A jogabilidade é ok, os Sense Controllers da Sony captam os movimentos com muita precisão, e as palhetadas funcionam nos dois sentidos, o que pode facilitar bastante em momentos mais frenéticos. Os acordes são feitos pressionando os botões L1 e L2 (usando a configuração para destros) de forma simultânea ou alternada, conforme o caso.

Após certo tempo de jogo, percebi que o botão L1 não precisa nem ser pressionado, pois o controle possui sensor pra identificar se a mão está fechada sobre ele ou não. Assim, descobri que quando as notas do L1 aparecem, é muito mais confortável e eficiente apenas deixar o dedo repousado sobre o botão do que manter pressionado o tempo todo.

Unplugged Air Guitar 3

Já no modo Hard, Unplugged lança ao jogador notas mais difíceis exibidas em amarelo e vermelho que exigem um movimento amplo e muitas vezes brusco do punho esquerdo para serem atingidas, o que achei um ponto muito negativo. Esse tipo de movimento não é nada natural para quem toca o instrumento real, sendo inclusive desaconselhado por profissionais por ser extremamente ineficiente e por apresentar riscos de lesão.

Com tantas possibilidades à disposição dos desenvolvedores por conta do rastreamento dos movimentos, me pergunto se não estaria aí uma oportunidade perdida de aumentar a dificuldade através de técnicas já consolidadas no instrumento e perfeitamente plausíveis de serem emuladas num Air Guitar virtual, como vibratos, utilização da whammy bar, ou até mesmo tapping de notas no braço do instrumento com a mão dominante.

Vale ainda mencionar que além da nova técnica inusitada, o modo Hard tem muito mais notas, e abusa de artifícios como notas surpresa – que aparecem quando menos se espera – e também notas que não revelam qual botão deve ser pressionado até instantes antes da palhetada. Um verdadeiro desafio pra quem pretende zerar o jogo 100%.

No geral, Unplugged: Air Guitar proporciona bons momentos, com um quê de nostalgia, pois remete aos grandes jogos de banda do passado. A Realidade Virtual é uma adição bem vinda, mas não chega nem perto de ser algo revolucionário, pois GH e RB, através dos instrumentos e microfone, também exploravam uma jogabilidade diferenciada através do movimento e esforço físico.

Para fãs incondicionais de jogos de ritmo, acredito que o preço de R$ 133,90 esteja longe de ser abusivo. Para jogadores mais casuais, no entanto, talvez o ideal seria aguardar uma promoção, pois o conteúdo é bem limitado. Jogando no modo Normal foi possível liberar todas as músicas e palcos em poucas horas.

Unplugged: Air Guitar foi jogado no PSVR 2 com cópia cedida pela Vertigo Games