After the Fall (Review)

Por Luis Fernando Guimarães

Antes de mais nada, um disclaimer importante: este que vos escreve é uma negação em shooters. Sempre foi, seja com mouse e teclado ou nos consoles, pouco importa! Ingenuamente, achei que no VR seria diferente, “só aponta, atira e vai”. Um par de horas depois me vi jogando pela terceira ou quarta vez o primeiro estágio de After the Fall na dificuldade mais fácil, pois não conseguia passar da última wave de zumbis. Certamente minha falta de intimidade com FPSs impactou a minha experiência com o game, porém, creio que o leitor possa tirar informações valiosas deste review que pouco concernem à dificuldade ou preferências de gênero. Vamos a elas!

Em After the Fall você controla um sobrevivente em um mundo pós apocalíptico congelado, e deve participar em missões nas quais enfrenta hordas de seres chamados Snowbreed – uma espécie de zumbi – para sobreviver. Conforme explode as cabeças das hediondas criaturas na base do tiro, o jogador coleta o dinheiro do jogo, para depois comprar itens de customização, skins de personagem, novas armas ou upgrades. Em cada estágio também há disquetes escondidos, caso o jogador obtenha algum, é possível desbloquear novos upgrades para as armas.

Há grande ênfase no aspecto multiplayer, pois no modo campanha é necessário estar participando de uma equipe de quatro sobreviventes. Contudo, é perfeitamente possível jogar solo, e deixar o controle dos seus companheiros de equipe por conta da inteligência artificial. Os bots até que fazem um trabalho razoável, cobrindo a retaguarda, se mantendo longe do perigo e às vezes até revivendo os companheiros quando necessário. Só não espere que eles façam o trabalho pesado por você! Eles não vão eliminar o grosso dos Snowbreed, e é raríssimo que finalizem os chefes, por mais dano que estes tenham tomado, então é bom sempre ficar esperto!

After the Fall

É importante deixar claro que, apesar dos zumbis, After the Fall não é um survival horror. Praticamente nenhuma das características associadas ao gênero estão presentes, como gerenciamento de inventário, economia e uso racional de recursos, uso de furtividade e outros artifícios para escapar dos inimigos, etc.

Trata-se sim, pura e simplesmente de um FPS, sem firula nem enrolação. Escolha um estágio, seja emboscado por dezenas de Snowbreeds, mate todos, siga para a próxima área, seja emboscado novamente, repita o processo até chegar ao final.

Eventualmente, um ou dois chefes podem aparecer pra dar alguma variedade ao jogo e complicar a sua vida, devem ter uns 4 ou 5 tipos diferentes deles. A variedade de inimigos é limitadíssima! Como os Snowbreeds podem sair de qualquer lugar, inclusive de buracos na parede e do teto, é difícil se posicionar estrategicamente. O melhor a se fazer, na minha experiência, é se manter sempre em movimento e atento aos flancos e às costas pra não ser cercado pela horda. O triste é que essa dinâmica se repete em todos os estágios. Mudam os mapas, mas não há nada de novo.

Quando vi que o jogo tinha apenas uma meia dúzia de estágios diferentes, já havia logo de início ficado de certa forma decepcionado. Mal sabia que o problema era muito maior: poderiam ser 100 fases diferentes e minha opinião pouco iria mudar. Se não há mecânicas novas ou algum elemento diferenciado pra manter o jogo interessante, tanto faz o número de áreas disponíveis.

Outro fator que frustrou muito foi a mecânica de recarregamento manual. Há a opção de realizar o carregamento automático das armas, apenas aproximando-as do peito, ou manualmente: você ejeta o pente vazio, pega um pente novo na sua bolsa de munições, insere na arma e, por fim, manobra o ferrolho.

A vantagem de escolher o recarregamento manual é que os tiros dão o dobro do dano, além de ser de certa forma divertido emular os movimentos do recarregamento de uma arma real no calor do combate. O problema é que não funciona muito bem.

Inúmeras vezes ao tentar pegar um pente novo da bolsa com a mão esquerda por exemplo, alguma coisa aleatória que eu não queria fazer acontecia, como tirar uma outra arma do coldre, ou simplesmente não sair munição nenhuma. Inserir os pentes também é uma tarefa árdua. Se o movimento não for feito de forma fluida e de uma vez só, a munição fica engatada no cabo da pistola e não entra, aí o jogador tem que tirar e tentar várias vezes até dar certo. Enquanto isso, tome-lhe pancada de Snowbreed na cabeça.

Assim, After the Fall apresenta uma gama de deficiências que vão desde aspectos técnicos até a completa falta de criatividade no level design.

Talvez seja uma boa opção pra quem quer apenas quer pipocar uns zumbis sem ter que pensar muito por algumas horas, e sim, pra quem curte um bom grind, há grande variedade nas customizações e upgrades como incentivo pra jogar os mesmos estágios ad infinitum, buscando disquetes e acumulando recursos. Também há outros modos, como endless e PVP, mas na minha opinião, não é justificado o preço de R$149,50 para a versão Complete Edition no PS5 e, no fim das contas, não é uma recomendação de compra que eu faria.