AEW Fight Forever (Review)

Durante anos, fãs de wrestling precisaram se contentar com simuladores extremamente difíceis de serem jogados (olhando com respeito para você, Fire Pro Wrestling World) ou jogos com gameplay apenas aceitável vindos da WWE e sua parceria com a 2K Games. Com o surgimento da AEW, em 2019, e o anúncio de um jogo, AEW Fight Forever, surgiu aquela esperança de algo novo. Pois bem, tem algo novo, mas ainda muito preso ao passado.

Velhos conhecidos com roupinha nova

Desde o início, a AEW revelou que a Yuke’s, produtora japonesa responsável pelos maravilhosos jogos de Wrestling WCW vs NWO Revenge e WWF No Mercy, ambos de Nintendo 64, ficaria responsável pela engine e desenvolvimento do novo jogo. Inclusive, a engine que seria usada seria uma evolução da utilizada nesses jogos de N64.

No papel, a ideia é excelente, mas nem tudo o que funcionou no passado, funciona hoje em dia. AEW Fight Forever é bastante arcade, sendo que qualquer pessoa pode pegar o controle e em poucos minutos ter uma noção de como as coisas funcionam pra se divertir.

Ao mesmo tempo, existem alguns detalhes que jogadores mais experientes podem compreender, como métodos de combo e reversals que passam despercebidos no meio do caos de uma luta de wrestling.

Tudo muito legal, no papel. Na prática, o gameplay é passável e divertido quando você joga com amigos ou online, mas deixa a desejar quando você observa o ritmo frenético das lutas da AEW. Os comandos são bem mais simples que os encontrados em jogos da WWE e vai fazer muito marmanjo que adorava os jogos de N64 bem feliz (eu incluso), mas parece que falta alguma coisa ali.

É quase a mesma coisa que eu joguei em 1997, só que em vez de usar aquele controle maneiro, mas extremamente equivocado do N64, eu tava usando um Dualsense. E essa impressão de “faltou alguma coisa”, segue em todo o jogo.

AEW Fight Forever

Os gráficos do jogo não são ruins, desde que você não pague pelo valor inteiro dele. Isso é um problema, pois no lançamento, AEW Fight Forever chega às lojas digitais com o preço de um título AAA. Considerando a apresentação, principalmente a concorrência direta dos títulos da WWE, pagar R$ 300 nele me parece um pouco absurdo, até mesmo para os fãs mais empolgados da AEW.

O roster do jogo é interessante, ainda que um pouco desatualizado. Ainda é possível encontrar Cody Rhodes ali, Abadon está presente apesar de não aparecer nos programas de TV da AEW há mais de um ano, CM Punk tá ali, mas considerando o tempo que o jogo demorou pra sair, tá faltando muita gente.

Outra coisa sobre o roster está ligada aos gráficos do jogo. Enquanto as animações dos lutadores está bem ok, o visual deles é um pouco esquisito. Ao tentar chegar perto de algo mais realista, com a aparência real dos lutadores, a Yuke’s acabou criando versões “boneco de cera”, criando uma sensação esquisita ao ver alguns deles.

Ao mesmo tempo, alguns lutadores, principalmente Kenny Omega, têm um visual um pouco mais caricato. Considerando que o gameplay de Fight Forever também ter me lembrado MUITO com o de WWE All Stars, seria excelente se eles tivessem escolhido uma versão caricata do roster da AEW. Aproveita o clima arcade do negócio e abraça de vez, servindo muito mais como uma alternativa aos jogos mais realistas da WWE.

Modos que parecem feitos a toque de caixa

AEW Fight Forever conta com um modo história em que você pode selecionar um lutador do roster ou que você criou para viver um ano de AEW. O que poderia ser apenas um amontoado de lutas, acaba virando um gerenciador de vida de um lutador, em que você deve escolher quando ele vai treinar, participar de meet & greet, ou simplesmente ir em um restaurante comer uma comida típica da cidade.

O jeito em que essa história se desenvolve é bobo, mas tem um pouco de “coração” no negócio. Me diverti mais do que esperava, ainda que ele seja bem superficial.

AEW Fight Forever

Só que quanto mais você sai do ringue de AEW Fight Forever, mais você percebe as falhas do jogo. Enfiaram uns minigames no jogo que não são particularmente divertidos e acabam só ocupando espaço. Eu não consegui me divertir com nenhum deles e nas vezes em que precisei participar deles, achei tudo muito chato.

O esquema de criação de personagens é EXTREMAMENTE pobre. Comparado com jogos da WWE, chega a ser vergonhoso com o pouco que você tem pra fazer na hora de criar um novo lutador. Considerando que, até o momento desse review, não existe qualquer tipo de método de compartilhar suas criações com a comunidade, algo muito divertido em outros jogos de wrestling.

Em resumo

Falando tudo isso, parece que eu não gostei do jogo, mas não é bem essa a história. AEW Fight Forever é um jogo divertido e com amigos, pode gerar boas risadas, mas é impossível vê-lo como algo que chega perto da experiência que a AEW quer passar.

A fixação de vários fãs, e eu posso ser culpado disso, de achar que uma versão moderna de WWF No Mercy seria ideal para um novo jogo pode ter impedido Fight Forever de ser algo realmente impressionante. Ele tem um ritmo que não condiz com as lutas da AEW, algumas opções são bastante superficiais, o que seria ok em um jogo mais barato, mas nunca em jogo “full price”.

A impressão é que AEW Fight Forever era um jogo de orçamento mais baixo, mas que em algum momento, provavelmente no contrato de sua publicação pela THQ, o preço ficou mais alto e as coisas saíram um pouco do controle.

A realidade é que, mesmo sendo divertido durante as lutas, AEW Fight Forever não é uma boa plataforma de lançamento para novos jogos da AEW. Seria aconselhável ter algo mais veloz e que mostra melhor o que faz de All Elite Wrestling algo realmente interessante.

Para um primeiro game, me parece algo feito meio que “precisa sair”. Se a AEW gosta tanto de se colocar na posição de futuro do pro wrestling, talvez seus próprios jogos reflitam um pouco esse sentimento em vez de querer ser apenas uma versão de algo que foi lançado há quase 30 anos atrás.