The Flash (Review)

Falar sobre The Flash, primeiro filme solo do herói, pode ser feito de três maneiras. Uma falando sobre o filme em si, outra sobre o que ele representa para o novo universo, e outra colocando na balança todo o peso do longo período de produção e as polêmicas envolvendo sua estrela, Ezra Miller. Se eu fosse por apenas um desses três caminhos seria errado, porque as coisas acabam afetando as outras e fica quase impossível separar tudo isso. Então, vou começar mandando a real: The Flash é um filme legal, com momentos em que poderia ser REALMENTE grandioso, mas algumas escolhas fazem com que ele seja só isso. Legal.

Ezra Miller: bom Flash ou dodói das ideias?

Dito isso, vamos lá, Ezra Miller. Ezra Miller tentou gabaritar o código penal de vários países antes, durante e depois das filmagens de The Flash. Quando parecia óbvio que a estrela do filme seria trocada na primeira oportunidade, uma sumida para cuidar da sua saúde mental, que aparentemente estava bastante prejudicada, parece ter feito a poeira baixar. Existe aqui uma discussão sobre o fato de outros atores estarem envolvidos em polêmicas e não conseguirem essa segunda chance, mas é conversa para outro lugar.

The Flash

Miller é um Barry Allen interessante, principalmente quando é colocado frente a frente com sua versão mais nova, já que essa versão é tão irritante, mas TÃO IRRITANTE, que faz a original crescer e se transformar em um personagem legal. E o Miller apresenta bons momentos de atuação quando a história permite isso. Uma cena em particular faz Ezra mostrar que ainda tem o talento que mostrou anos atrás em outros papeis, só que a versão cabeludinha nesse filme é tão cretina que você fica pensando “Por que isso?”.

Então Ezra Miller tem bons momentos no filme do Flash. Legal. Mas e a história sobre o que o filme representa? Pois bem, The Flash, em teoria, é responsável pelo reboot do universo DC nos cinemas. Ele é, mas ao mesmo tempo não é.

Multiverso e o Universo DC nos cinemas

Todo o esquema de multiverso é explicado do seu jeitinho em The Flash e assim, funciona. Não é o mesmo esquema que a Marvel usou no cinema e suas séries, o que serei sincero ao falar que isso é bom. Torna as coisas diferentes e, de certa forma, ambos os jeitos funcionam. Ambos são confusos em alguns detalhes, mas em The Flash, ele justifica escolhas feitas para o seu futuro.

Só que aí tem todo esse lance de reboot que The Flash supostamente começaria. Vários rumores apontavam a participação de Michael Keaton como Batman e Sasha Calle como a nova Supergirl, inclusive que ela substituiria o Superman na Liga da Justiça e tudo mais. Com os anúncios feitos pelo James Gunn sobre as novas produções da DC, ficou claro que teremos um novo Superman, um novo Batman e uma nova Supergirl.

Então como esse reboot começa em The Flash? Falar sobre isso seria um spoiler, mas ao mesmo tempo pode nem ser porque ainda me deixou levemente confuso. Me pareceu uma saída “Vamos ver o que vocês acham desse filme e aí seguimos por esse ou por outro caminho”. Mas a ideia do multiverso aqui funcionou.

Tá, mas e o filme do The Flash, é bom?

Como eu falei lá em cima, The Flash é um filme legal. E agora eu posso falar mesmo sobre ele. A história é de conhecimento geral, Barry Allen se sente um pouco como “café com leite” da Liga da Justiça e, em dado momento, vê uma oportunidade de consertar tudo ao voltar no tempo e salvar a sua mãe, que foi morta, e seu pai, que foi preso injustamente pelo crime.

Ao fazer isso, ele acaba mudando a timeline e criando uma bagunça no multiverso, caindo em uma realidade em que tem um Batman diferente e sem pessoas com poderes.

Aqui ele encontra uma versão mais nova dele, um Bruce Wayne velho e a Supergirl. Tudo isso tá nos trailers e pôsteres do filme. Pois bem, já falei de como essa versão mais nova do Barry Allen é completamente irritante, o que meio que faz sentido. O negócio mesmo tá no Batman e na Supergirl. Michael Keaton parece que é o mesmo Bruce Wayne dos filmes do Tim Burton, só ficou mais velho. Ele ainda é meio esquisito, mas você fica com a impressão de que é o mesmo personagem.

Já a atriz Sasha Calle no papel de Kara Zor-El funciona como uma Supergirl dessa realidade, ainda que tenha muito pouco pra se fazer além de socar geral. Não reclamaria se no reboot, ela continuasse como a nova Supergirl.

Só que nem tudo é alegria. O filme tem piadinhas que não funcionam, mas isso não chega a ser ofensivo. Os efeitos especiais são. Eu não sou muito de reclamar sobre isso, a não ser que esteja num nível vergonhoso, o que acontece aqui. Eu não sei exatamente o que rolou aqui, mas os efeitos do filme do Flash são TERRÍVEIS.

Em várias cenas, parece cutscene de jogo de PlayStation 2, com todo mundo claramente de mentira e com cara de cera. As cenas com os dois Barrys têm muito disso. É possível identificar com facilidade qual versão é o Ezra Miller de verdade e qual é com a cara de computação gráfica. MULHERES DE AREIA CONSEGUIU FAZER ESSE EFEITO PARECER MAIS REALISTA!

E o filme tem uma coisa que parece ficar melhor quando “desacelera”(viu o que eu fiz aqui?). Quando o Barry está conversando com o Bruce Wayne, tentando lidar com os problemas que criou ou interagindo com a sua mãe, fica um negócio realmente interessante. Só que ele se perde um pouco no tom geral do filme. Na real, considerando todos os problemas de produção (esse filme foi anunciado pra estrear em 2016), o que chega aos cinemas é uma adaptação um pouco confusa, que precisa dar tchau para um universo equivocado e olá para uma nova realidade. Não reclamaria de ver Ezra Miller novamente como Flash, principalmente após a evolução do personagem.

O que dá pra tirar daqui é que James Gunn e Peter Safran ainda terão muito trabalho pra fazer esse novo universo DC nos cinemas dar certo. Mesmo com alguns tropeços, The Flash consegue chegar em pé no final. Onde ele tropeça um pouco de novo, mas queixo erguido. É isso aí.