Indiana Jones e a Relíquia do Destino (Review)

A franquia Indiana Jones, apesar de ter um personagem central excelente, é um pouco confusa quando pensamos que teve alguns finais e retornos ao longo dos anos. Cronologicamente, o Indiana já se aposentou e apareceu caçando relíquias mais de uma vez, seja no cinema ou na série de TV, que até segunda ordem, é cânone. Com Indiana Jones e a Relíquia do Destino, Harrison Ford tem novamente a chance de se despedir do personagem e entregar um final decente para o personagem. Apesar de alguns tropeços, é possível dizer que, mais uma vez, o Ford conseguiu.

Indiana Jones tinha uma das melhores trilogias da história do cinema, em que até o mais fraco dos filmes ainda era muito bom (olhando respeitosamente para você, Templo da Perdição). Toda a empolgação de um retorno do personagem aos cinemas depois do maravilhoso Indiana Jones e a Última Cruzada acabou acumulada no lançamento de Indiana Jones e a Caveira de Cristal, que apesar de ter bons momentos, ainda é bastante equivocado.

Indiana Jones

Com A Relíquia do Destino, o diretor James Mangold, de Logan e que assume as rédeas do filme enquanto Steven Spielberg e George Lucas produzem, finalmente mostra um Indiana idoso, cansado, mas que ganha novo ânimo numa última grande caçada nos anos 60.

Não seria a primeira vez que um Indiana “velho demais pra esse trabalho” é usado, mas em A Relíquia do Destino, provavelmente pela idade do Harrison Ford, ele funciona. Se ele é rabugento, faz sentido. Se ele participa de uma cena de ação, parece um pouco mais impressionante. Nesse sentido, o Indy idoso é bem mais legal de assistir que no último filme.

Outro ponto positivo é a presença da Phoebe Waller-Bridge como a afilhada que acompanha o Indy na aventura. Depois de Fleabag, a carreira dela explodiu, ainda que não o suficiente e o quanto merece nos cinemas. Com esse filme, isso deve mudar porque ela é certamente um dos motivos pelos quais ele é tão legal. A personagem dela é divertido, funciona MUITO bem com o padrinho idoso, ainda que em alguns momentos a motivação dela não pareça tão clara quanto poderia. Eventualmente, tudo se encaixa e nesse ponto, o filme brilha.

Só que nem tudo é alegria. O filme começa com uma cena de ação ainda na Segunda Guerra Mundial, com o Indiana e um colega professor tentando resgatar relíquias roubadas por nazistas. Durante todo esse trecho do filme, o Harrison Ford foi rejuvenescido, algo mostrado nos trailers e que parecia funcionar muito bem. Pois então, no filme funciona, ao mesmo tempo que não.

Em vários momentos, é quase imperceptível que o Harrison Ford teve seu rosto rejuvenescido, mas logo em seguida, parece um boneco de cera olhando esquisito pros outros. Essa cena também serve para apresentar o vilão, interpretado por Mads Mikkelsen, e a tal Relíquia do Destino. Ambos esses elementos não funcionam tão bem quanto deveriam e eu explico.

Tanto o vilão quanto o objeto pelo qual todo mundo corre o mundo tentando encontrar não são tão bem desenvolvidos. Tudo o que acontece é divertido e segura a sua atenção, mas o vilão demora bastante para mostrar a que veio e revelar seu verdadeiro plano, assim como uma explicação do porque o objeto é tão importante. Isso não chega a ser grave, já que o tom do filme consegue segurar o público, mas dá a impressão que deixa um trecho grande do filme correndo por algo sem muita substância.

Felizmente, as coisas conseguem fazer mais sentido a partir da segunda metade do filme e aí o negócio voa. Mesmo assim, entendo aqueles que acharem que a ação e o ritmo mais “Sessão da Tarde” do filme não são tão bons quando comparados a outros blockbusters lançados recentemente, mas Indiana Jones e a Relíquia do Destino é bastante fiel ao clima que o Spielberg e o George Lucas quiseram criar lá em Os Caçadores da Arca Perdida. Um filme divertido, relativamente leve e com um personagem principal que finalmente se despede com dignidade e segue firme como um dos maiores ícones no cinema.

Fora que quem não ficar arrepiado com a música no final é maluco. MALUCO!