Dungeons & Dragons: Honra Entre Rebeldes (Review)

A adaptação de um jogo de RPG que basicamente são regras e blocos de história para você usar como base tinha tudo pra dar errado, vide que a graça de um jogo como Dungeons & Dragons tá realmente nos jogadores e como eles lidam com tudo aquilo. Dungeons & Dragons: Honra Entre Rebeldes tinha tudo para dar errado, mas consegue entregar uma aventura realmente divertida e que ainda consegue traduzir bem o espírito de uma mesa de RPG para o cinema.

De maneira bastante resumida, o filme conta a história de um bardo e uma bárbara que foram presos após uma quest que dá errado. Antigos companheiros fugiram ou os traíram e agora parte do loot deles pode ser responsável por servir como chave para o fim do mundo. Agora, eles precisam juntar uma nova party pra resolver a parada.

Isso dito de uma forma que jogadores de RPG facilmente entendem é bastante legal, mas também mostra um grande problema da primeira metade do filme. Apesar de boa parte das piadas e cenas de ação funcionarem, a primeira metade do filme tem um problema em entender exatamente o tom que quer ter. Enquanto as coisas parecem leves e divertidas, a adaptação despeja um caminhão de referências que certamente farão os fãs de D&D se empolgarem, mas pra quem não conhece muito bem, acabam causando estranheza.

A história é relativamente simples, mas enquanto o filme tenta levar o espectador pela mão ou fazer um afago nos fãs, as coisas parecem não se encontrar muito bem. Para a sorte de todos, quando o filme encontra o seu ritmo e abraça o caos e galhofa de uma mesa de RPG, tudo fica mais legal.

Em dado momento, é possível acreditar que tudo foi criado depois de umas semanas com os roteiristas jogando RPG como os personagens e gravando tudo pra transformar em roteiro. Soluções cretinas para problemas complexos, jogadas de pura sorte que dão certo, diálogos de personagens que às vezes não conseguem entender como foram parar ali e precisam resolver a treta de alguma forma.

Dungeons & Dragons

As atuações do filme são bem legais e devo dizer ter ficado bem satisfeito com o Chris Pine como o bardo com um passado triste. Outra pessoa que me surpreendeu foi a Michelle Rodriguez com uma bárbara que deixou a sua tribo para casar e depois foi deixada para trás.

O resto do elenco é legal, apesar de não ser algo que chame tanta atenção. Algo que certamente vai chamar atenção dos fãs é a participação de personagens do desenho Caverna do Dragão. A participação deixou de ser spoiler quando o estúdio resolveu enfiar a cena em tudo quanto é canto e até lançar vídeo com o desenho comentando o filme, então falo sem dó mesmo.

A participação é muito pequena e não dá pra falar que são exatamente os mesmos personagens (eles são mais velhos e não tem a Uni, o que considero uma vitória porque dane-se aquele unicórnio maldito), mas não deixa de ser legal ver a galera ali num ambiente em que só a gente vai falar “OLHA QUE MANEIRO”, já que o desenho não fez sucesso nos EUA.

No geral, Dungeons & Dragons: Honra Entre Rebeldes é um filme bem divertido que começa meio estranho, mas logo fica maneiro para todo mundo.