Batem à Porta (Review)

Sempre se espera alguma reviravolta doida nos filmes de M. Night Shyamalan porque essa se tornou a marca do diretor. Por mais simples que a história pareça, no fundo você fica atento pra pegar a surpresa, mas o seu novo filme, Batem à Porta é bastante direto, algo que por um lado é muito bom, mas por outro deixa uma sensação de que faltou alguma coisa pra ele ser realmente especial.

Baseado no livro The Cabin at the End of the World, de Paul Tremblay, o filme conta a história de um casal, Eric e Andrew, e sua filha, Wen, uma garotinha de 8 anos, enquanto eles tiram férias em uma cabana isolada no meio de um bosque. Wen está brincando quando surge Leonard, um sujeito gigante, mas muito doce, falando que quer ser seu amigo e de seus pais.

Batem à porta
Foto: Universal Pictures

Logo aparecem mais três pessoas com armas esquisitas, claramente feitas em casa. A menina foge e avisa seus pais. O grupo acaba invadindo a casa e revelando o motivo de estarem ali: através de visões, eles se encontraram e estão ali para evitar o apocalipse. Isso só pode acontecer se Eric, Andrew e Wen escolherem um dos três para ser sacrificado.

Conforme a história avança, acontecimentos globais começam a colocar em dúvida se o grupo é só um bando de loucos ou se existe verdade no que estão fazendo.

Foto: Universal Pictures

Considerando isso, o Shyamalan consegue criar um clima tenso a cada nova cena, dando pequenas informações sobre o grupo e a vida de Andrew, Eric e Wen. O elenco é bem competente, com destaque para Dave Bautista, que interpreta Leonard. O homem é um gigante, mas seu jeito, muito educado e doce, no melhor esquema “Gigante Gentil” impressiona e mostra que dessa galera de pro wrestling, ele é com certeza o melhor ator.

Faltou alguma coisa

Só que por mais que o filme seja tenso, a questão do que é verdade é levantada desde o início e nunca tem tanta força como deveria. Fatos são revelados sobre o passado de todos, algo que poderia dar uma nova cara a alguns acontecimentos, mas tudo se resolve quase no mesmo instante ou as coisas simplesmente são meio deixadas de lado.

Isso faz com que o clímax do filme, ainda que faça certo sentido, não tenha tanto impacto como deveria. Existe todo um simbolismo escancarado no final, que se fosse de um filme lançado pré-pandemia poderia ser emocionante, mas ao vermos como parte da humanidade reagiu a milhões de pessoas morrendo, parece um pouco vazio em 2023.

No fim das contas, Batem à Porta é um bom filme traz boas atuações e mostra que o Shyamalan ainda tem o dom de criar um clima de tensão em seus filmes, mas faltou um pouco mais de coragem na hora de adaptar o livro de Paul Tremblay, esse sim com um clímax muito mais interessante. Nesse caso, vale mais a pena ficar com o livro.