“Abraços Partidos”, a mais recente produção de Pedro Almodóvar, é um filme charlatão. Sei que posso me arrepender mais tarde por essa afirmação e corro o risco de ser metralhada e chamada de herege por alguns fãs de cinema, mas, sinceramente, achei a obra fraca. Não sou grande apreciadora, nem entendo muito bem da trajetória desse diretor, embora tento acompanhar seus lançamentos e até hoje não me emocionei com nenhum de seus filmes que assisti. “Fale com ela” estava me conquistando até aparecer Caetano Veloso cantando, que, mais uma vez me perdoem, para mim é torturante. Depois disso, desliguei a TV e nunca mais dei outra chance ao filme. Das outras produções – não vi todas -, gostei médio de “Volver” e “Tudo sobre minha mãe” e também não consegui ver “Má Educação” inteiro.
Enfim, no domingo à noite resolvi dar mais uma chance ao espanhol. Estava até animada e ansiosa, ainda mais por contar- de novo – com Penélope Cruz no elenco, que para mim é a mulher mais bonita do cinema atual. “Abraços Partidos” conta a história de um cineasta/roteirista que se apaixonou por uma atriz amigada com um figurão. O “marido”, anos luz mais velho que a esposa, tem ciúmes da donzela, descobre o caso dela com o diretor e a mocinha passa a viver um inferno. A história é contada em flashbacks, que se dividem entre os anos 90 e 2008. Até aí, nada demais. Qualquer filminho de sessão da tarde tem uma trama assim. “Mas e aí, Pedrão? O que de diferente tem essa história?”, pensava eu no canto da sala de cinema.
“Nada!”, foi a resposta que obtive depois de duas horas e meia de projeção. Há quem diga que Almodóvar faz menção a filmes clássicos, que leva o espectador a produções de outrora, ou seja, que resgata a época de ouro do cinema. Bem, pode ser. Para mim, parecia mais uma produção do diretor de terror argentino, Daniel de La Vega*. Algo trash, exagerado e que, por mais que tenha sido essa sua intenção, não convenceu.
Peço sinceras desculpas aos defensores de Almodóvar, mas é preciso muito mais que Penélope Cruz dentro de um terninho vermelho e saltos altíssimos para que um filme seja, no mínimo, regular.
*Que fique claro que gosto de Daniel de La Vega



#1
Adoro sua sinceridade com as palavras Sarah! Por mais que eu tenha gostado do filme, vale muito a pena ler suas conclusões!
Você escreve muito bem!
Parabéns!!
#2
Só uma correção: como me lembrou Eduardo, a atriz não era casada com o figurão, mas sim, amigada com ele!
Obrigada, Du.
#3
Que foto foda da P.Cruz!!