Para a felicidade de todos e orgulho geral da nação, cada vez mais a passos largos os quadrinhos nacionais crescem, se colocam e se estabelecem no mercado. Antes negligenciados e/ou reservados às editoras menores, especializadas em nichos, agora são lançados com a pompa e o destaque que a qualidade das obras merecem.
Esse é o caso de Cachalote, do desenhista Rafael Coutinho e do escritor Daniel Galera que após dois anos de trabalho, lançam o álbum Cachalote pelo selo Quadrinhos na Cia. da editora Companhia das Letras, uma das maiores no país.
A HQ conta cinco histórias que em nenhum momento se cruzam, ou sequer fazem referências umas as outras. Sua única conexão é aquilo que as motiva e no que os personagens buscam em seu decorrer.
Sublime é a palavra que eu usaria para descrevê-la, se uma só fosse necessária.
Devorei todas as cerca de 300 páginas de Cachalote em um período de não mais do que uma hora e meia. E passei o resto do dia inteiro querendo lê-la novamente, e então de novo, de novo, de novo e de novo. O roteiro e a narrativa são envolventes, te sugam e engolem, lhe obrigando a mergulhar nas histórias, ter as mais diversas reações, críticas e emoções. Os personagens são em sua quase totalidade profundos, ou simpáticos, ou antipáticos ou mesmo uma combinação de duas dessas características. O que pode também se alterar como da água pro vinho durante o decorrer de sua história. Você invariavelmente vai escolher seu personagem favorito ou aquele com o qual mais se identifica cedo ou tarde, e vai contar as páginas para poder ler o retorno dele aos holofotes. Você, por vezes, vai sentir vontade de pular tudo para ir direto ao que mais te interessa, e quando imagina fazê-lo, Cachalote te fisga para a total imersão na trama.
A arte é simples e tocante, na medida necessária. Com um toque narrativo que pouco tem se visto nos desenhistas da atual geração, nota-se o cuidado e o esmero nas páginas em preto e branco feitas apenas com nanquim sobre papel, foi fundamental para tornar a Graphic Novel tão exuberante aos olhos.
Cachalote é sem sombra de dúvidas a melhor coisa que li, seja quadrinhos ou livros, desde Retalhos.









